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Essa tal logística PDF Imprimir E-mail


logistica

Sinônimo de status de empresas do setor de transporte, logística para os motoristas de caminhão está associada a entrega da mercadoria em menos tempo e atender às necessidades dos clientes, mesmo que isso custe o sono e a segurança do carreteiro

A crescente profissionalização do transporte rodoviário de cargas, com a utilização de métodos de gestão cada vez mais avançados e de um sistema de logística capaz de atender com eficiência e rapidez às demandas dos clientes em qualquer parte, recai, sempre, nas mãos do carreteiro, que se constitui no elo final de toda essa operação. As grandes empresas se organizam e os caminhões ficam modernos e possantes, porém muitas vezes o motorista não está acompanhando essa evolução, ou, em muitos casos, nem ao menos sabe o que está acontecendo.

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- Casal de empresários, Rubem e Vera Lucia Maidana, realiza cursos de atualização para os motoristas de sua transportadora

De acordo com uma definição da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), "logística é a ciência do planejamento e de realização da movimentação das forças, abrangendo o desenho, desenvolvimento, aquisição, estoque, movimentação, distribuição, manutenção, evacuação e disponibilização de materiais", entre outros itens.

E, segundo definição do CLM (Council of Logistics Management), de 1986, e incluindo o conceito de Supply Chain Management, é a parte do processo que planeja, programa e controla, eficientemente, o fluxo e armazenagem de bens, serviços e informações do ponto de origem ao ponto de consumo de forma a atender às necessidades dos clientes.

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- Ilton Ferreira é agregado de uma empresa de transporte e logística e diz que às vezes levanta muito cedo e fica o dia inteiro esperando uma carga expressa

Em Uruguaiana/RS, na fronteira do Brasil com a Argentina e importante local de passagem de caminhões de carga entre os países do Mercosul, a diretora comercial da Ruver - Transporte & Logística, Vera Lucia Guedes Maidana, 46 e 16 de profissão, garante que em termos de logística o Brasil está cerca de 10 anos atrasado, comparado com Argentina e Chile, como exemplo. Ela e o marido, Rubem de Carvalho Maidana, 45 anos, responsável pela parte Operacional, donos da Ruver, mantém uma frota de 45 veículos próprios e outros 105 agregados, com 70% dedicados ao transporte de produtos químicos, principalmente para o mercado internacional. A empresa existe há 16 anos, com três departamentos que cuidam de todo o sistema logístico, desde a coleta, armazenagem, desembaraço, aduaneiro e a entrega no destino.

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- Com horário definido para pegar a estrada, Milton Szlachta garante que faz seu próprio horário e só viaja à noite por determinação própria

Segundo Vera Lucia, todos os veículos são equipados com rastreadores e monitorados durante 24h. Além da constante preocupação com os motoristas, que devem rodar a uma velocidade máxima de 80 km/h, há também paradas obrigatórias para descanso e determinação para trafegar até às 22h. Ressalta que nos 16 anos de existência da empresa ocorreram apenas três acidentes, mesmo assim causados por terceiros. A preocupação com a logística e com a eficiência operacional faz com que a Ruver realize cursos de atualizações para os funcionários, incluindo motoristas.

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- Certo de que não pretende trabalhar como agregado em empresas de logística, Jaime Pfeifer prefere cargas e itinerários que lhe permitam viajar sossegado

De acordo com Rubem Maidana, mesmo assim, ainda permanece a dificuldade na contratação de bons motoristas, aqueles realmente responsáveis e que estejam dentro do perfil desejado pela empresa. Ressente-se da falta de treinamento adequado e, para isso, destaca o trabalho realizado pela unidade local do Sest/Senat nessa área. Rubem e Vera concordam que a banalização do termo logística no transporte rodoviário de cargas é prejudicial para a atividade, principalmente para as empresas que buscam o constante aprimoramento, enquanto outros que nem ao menos sabem o significado das palavras que ostentam em seus caminhões anunciando "transporte e logística". No trecho, quase alheios ao assunto, os motoristas têm outras preocupações, quase todas referentes à necessidade de rodarem cada vez mais e com mais rapidez.

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- Associado de uma cooperativa de transportes, Ademir Samistraro admite que na maioria das vezes precisa obedecer horários e prazos rígidos

O carreteiro Ilton Ferreira da Silva, 45 anos e 23 de profissão - natural de São José do Ouro/RS - é agregado de uma grande empresa de transporte e logística e viaja para todas as partes do País. Lembra que, de uma maneira geral, a rotina das viagens é parecida, com a previsão da hora de chegada ao destino e dos locais de paradas e descanso. Todavia, reclama das inúmeras vezes em que precisa levantar às 5h da manhã e depois de ficar o dia inteiro esperando, acaba pegando uma carga expressa para um lugar distante e precisa tocar direto, "isso depois de ter levantado cedo e passado o dia sem fazer nada".

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- Na opinião de Antenor Marin, o melhor mesmo é transportar para empresas médias e pequenas, que não fazem muitas exigências

Garante que quem diz que não usa rebite está mentindo. "Não tem organismo que resista", salienta. Ele cita como exemplo uma viagem de Caxias do Sul/RS a São Paulo/SP que deve durar cerca de 20h e muitas vezes precisa ser feita expressa, em 16h. "Considerando-se que o motorista só vai pegar a estrada tarde da noite, é uma loucura". Segundo ele, o esquema adotado pelas empresas de transporte e logística são prejudiciais ao motorista, porque precisam despachar as cargas com urgência, atendendo aos interesses dos clientes que não podem ficar sem o produto.

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- Adilson Oliveira Coelho programa suas viagens com horários de descanso e parada para dormir, além da velocidade limitada a 80km/hora

Lembra que todas as empresas cobram o cumprimento de horários, porém nenhuma dá um prêmio de reconhecimento aos motoristas que conseguem cumprir as metas determinadas. Justamente por isso é que ele está negociando para comprar um caminhão e, "daí sim, ter liberdade para escolher o frete, o destino e os horários de suas viagens, com segurança". É o que pensa.

No caso do paranaense de Cascavel, Milton José Szlachta, 44 anos e 25 de estrada, as viagens são mais tranquilas e sem prazos rígidos. Ele dirige uma carreta transportando aço e papel entre os Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul e garante que para a empresa em que trabalha, "quem faz a viagem é o motorista". Ele tem um horário definido para pegar a estrada, refeições ou descanso. Não dirige à noite, a não ser em casos extremos ou quando falta pouco para chegar ao destino da viagem. "Quando viajo à noite é por minha vontade e não por determinação do patrão", diz. Nunca trabalhou e nem pretende trabalhar em empresas de logística, que exigem muito do motorista, pois sempre precisam ficar atentas aos interesses dos clientes, que podem precisar da mercadoria a qualquer hora e com prazos curtos, salienta.

Outro carreteiro que não pretende trabalhar como agregado em empresas de transportes e logística, "por causa da pressa", é Jaime Pfeifer, 48 anos e 21 de estrada e natural de Caxias do Sul/RS. Dono do caminhão, ele roda por todo o País e prefere itinerário e cargas que lhe permitam viajar sossegado, sem muita pressa e com segurança, parando quando for preciso. Não trafega à noite, "porque a noite foi feita para dormir".

Pfeifer comenta que a tendência é de todas as grandes empresas se transformarem em operadoras de logística, com armazenagem e redespachos de cargas, muitas vezes com urgência, já que a maioria das indústrias não quer manter estoques por causa dos custos. "O caminhão vira o depósito e é preciso tocar rápido para não faltar matéria-prima na linha de produção, forçando o motorista a cumprir horários muito espichados, num ritmo que não me serve," conforme diz. Segundo ele, já não servia quando era mais moço e não vai ser agora, com toda a experiência adquirida nas estradas que vai começar a fazer loucuras. "É preciso parar para dormir, descansar e dirigir com segurança".

O autônomo Ademir Samistraro, 32 anos e quatro de profissão, é dono de um Ford Cargo 2009 e viaja pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Natural de Tangará/SC, antes de se tornar carreteiro trabalhava na agricultura com o pai. Comprou o caminhão e se associou a uma cooperativa de transportes que faz a intermediação das cargas, inclusive das negociações sobre os valores dos fretes. Está contente e não tem queixas, embora na maioria das vezes precise obedecer a horários e prazos rígidos para a entrega das cargas. Confessa que não sabe muito bem como funciona o esquema de logística no transporte de cargas, mas acredita que não seja muito diferente do que faz, ou seja, tudo com prazos e horários pré-definidos. "Tudo é muito complicado e é preciso coragem para enfrentar o desafio de ser autônomo".

Para o carreteiro Antenor Marin, 49 anos e 28 de profissão, também dono do caminhão, o melhor mesmo é carregar para empresas médias e pequenas que não fazem muitas exigências e se pode trabalhar com mais liberdade. Natural de Antônio Prado/RS, Marin viaja para onde tiver carga, "não tem destino certo", mas sempre procura negociar bem o valor do frete e os prazos de entrega. Confessa que não sabe como funciona o trabalho das empresas de logística, apenas por ouvir falar, mesmo assim sabe que não lhe serve. Pensa em trabalhar com calma, ganhando o suficiente para o sustento da família até a aposentadoria. Depois pretende vender o caminhão e comprar uma sala comercial para alugar e garantir uma renda extra para a velhice, afirma sorrindo.

Depois de dirigir uma carreta com equipamentos de som de uma banda de músicas gauchescas, nos Estados da região Sul, Adilson Oliveira Coelho, 34 anos e três de estrada, trabalha agora com uma carreta carregando máquinas agrícolas para exportação, de Curitiba/PR até Uruguaiana/RS, na fronteira do Brasil com a Argentina, onde é feito o transbordo para outros caminhões que as levarão para Argentina, Chile ou Bolívia.

Garante que tudo é feito dentro de uma operação de logística, com todos os detalhes da viagem programados, como horário de direção, para paradas e para dormir e velocidade limitada nos 80 km/hora. "Chego às 18h e encosto até às 5h da manhã", afirma. Segundo ele, ninguém fala nada em logística para os motoristas, embora todos saibam que existe, mas ninguém sabe o que é e nem como funciona. "Afinal, a gente só precisa dirigir e fazer certo o que nos mandam fazer e pronto", ressalta, sem grandes preocupações.

 

Fonte: Revista O Carreteiro